Os segredos da fotografia macro e close-up

Em odontologia, o maior desafio nas documentações fotográficas é obter imagens reproduzindo os contornos de forma natural, de assuntos relativamente pequenos e conseguir ótima iluminação dentro da boca.

 Certamente, é uma tarefa altamente especializada. Para fotografar uma boca há necessidade de aproximação, para facilitar o controle sobre o paciente, e para aumentar o tamanho da imagem.
As fotografias em Close-up e a Macrofotografias são realizadas em aproximação e diferem entre sí devido a taxa de ampliação. Na macrofotografia (ou simplesmente macro) a ampliação é maior, mas o termo “macro” popularizou, sendo na atualidade utilizado corriqueiramente para determinar ampliações acentuadas ou modestas (clouse-up).

Objetiva
Acessórios de ampliação como Filtros Clouse-up, Teleconverter, Fole, Tubo de Extensão e o Anel de Inversão levam a perda de luminosidade ou perda de qualidade da imagem. Por isto não serão abordados nesta matéria. O assunto tem foco sobre a iluminação e objetivas, especialmente as objetivas macro intercambiáveis (removíveis) profissionais.


Quem quiser trabalhar profissionalmente com macrofotografia, apesar de caro, deve investir em uma objetiva macro (chamada de micro pela Nikkor). O resultado final será melhor que o que qualquer outro acessório possa conseguir. As objetivas macro conseguem alta qualidade, pois foram projetadas justamente para fotografias a curtas distâncias.
As melhores objetivas macro, independente da sua potência, são aquelas de marcas renomadas, com vários elementos ópticos, tratamento anti-reflexo e as que possuem a abertura máxima do diafragma bem ampliada, como f2,8, deixando a imagem clara e limpa durante o foco, facilitando-o muito. A mesma objetiva deve possuir aberturas do diafragma bem fechadas, entre f22 e f45 para conquista de grandes profundidades de campo (profundidade da área em foco).

Comprando uma objetiva macro
Ao comprar uma objetiva macro, alguns requisitos são importantes:

* Principalmente
     • Marca: geralmente as objetivas “de marca” ou proprietárias são melhores (e mais caras) que as universais.
     • Objetiva fixa: produzem imagens de melhor qualidade que as zoom.
     • Luminosidade: é indicado uma objetiva com a maior abertura do diafragma possível, para deixar a imagem do visor mais clara e o foco facilitado. As macro 100 e 105 f2,8 são consideradas nobres. Quando uma objetiva permite grandes aberturas de diagrama, geralmente é projetada com muita tecnologia, fabricada com ótimos materiais, tratamento anti-reflexo e acabamento esmerado.
     • Profundidade de campo: que a objetiva permita fechar bem a abertura do diafragma, para conquista de grandes profundidades de campo, pelo menos f22, nas objetivas intercambiáveis.
     • Sistema de flutuação das lentes: aberrações tendem a aparecer em fotografias a distâncias muito curtas. O sistema de flutuação ajusta o intervalo entre certas lentes da objetiva de acordo com a distância de foco, corrigindo eficazmente as aberrações.
     • Foco: manual e automático, ambos velozes.

* Aconselhável:
     • Focagem interna / traseira: este fator minimiza o esforço de foco, tornando-o mais curto e rápido.
     • Focalização manual em tempo integral: significa que o ajuste de foco pode ser realizado manualmente de forma integral, ou seja, em qualquer situação, tanto na opção manual como em autofoco.

Iluminação

A melhor forma para iluminar um objeto fotografando a curta distância em fotografias de close-up ou macro é utilizando o flash. Com ele, é possível conseguir grande profundidade de campo, assegurando uma imagem com foco em toda ou quase toda a sua extensão. Outras vantagens do uso do flash é que “congela” a imagem, evitando que esta saia tremida, e reproduz as cores de forma fiel. Os mais indicados para fotografia em close-up e macro são os flash circulares e os Twin flash.

• Flash circular: chamado em inglês de Ring Flash, tem a construção do dispositivo de iluminação em forma de anel. O flash circular é altamente recomendado para fotografia Odontológica, mas deve ser bem utilizado para conquista de alta qualidade. Para isso, deve-se compreender bem como funciona a iluminação e percepção do olho humano.
O flash circular proporciona uma iluminação total da área fotografada, com iluminação uniforme e removendo totalmente as sombras. Isto parece o ideal, à primeira vista, mas é justamente a crítica dos fotógrafos profissionais sobre este tipo de iluminação. Como a iluminação da imagem é extremamente uniforme, com a mesma intensidade de todos os lados, a imagem pode fica “achatada”, com o aspecto antinatural. Por isso, a iluminação não deveria ser igual em todos os sentidos, e sim direcionada, de preferência na diagonal, como a iluminação natural, com o lado superior um pouco mais forte que o inferior. Todo o exagero é prejudicial, as pequenas sombras proporcionadas por este direcionamento devem ser difusas, quase imperceptíveis. Existem modelos de flash circulares que fazem esta função com perfeição, com vários níveis de graduação entre os lados direto / esquerdo e possibilitam girar e fixar nesta nova posição a lâmpada na frente da objetiva. Quem quiser obter um resultado muito além do que uma boca bem iluminada, obtendo sim uma boca natural, deverá utilizar esta técnica.

Twin Flash: flash com duas cabeças dispostas relativamente próximas da porção anterior da objetiva para iluminação em macro``fotografia. Este equipamento permite graduação regulável de luz entre um lado e outro. Pode-se conseguir resultados excepcionais com este equipamento, desde que se aprenda a “jogar” bem com o balanço bilateral de iluminação.

Os desafios técnicos em macrofotografias e close-up

• Profundidade de campo: Profundidade de campo é a área que estará em foco. É um fator crítico. Como em documentação fotográfica odontológica, toda a área de interesse deve estar em foco, há a necessidade de obtenção de grande profundidade de campo. Em fotografias em close-up e principalmente em macro, ocorre uma brutal redução da profundidade de campo. Existem apenas três fatores que interferem na profundidade de campo: a distância entre a câmera e o objeto a ser fotografado, a distância focal da objetiva e a abertura do diafragma da objetiva.

1. Distância entre a câmera e o objeto a ser fotografado: Quanto menor a distância entre a câmera e o objeto a ser fotografado, menor será a profundidade de campo.

2. Distância focal da objetiva: Quanto maior a distância focal da objetiva, menor será a profundidade de campo.

3. Abertura do diafragma da objetiva: Das três únicas alternativas que pode-se lançar mão para aumentar a profundidade de campo, em odontologia, as duas primeiras foram descartadas, pois as fotografias devem ser realizadas em curta distância, com objetivas de distância focal relativamente longas. Resta apenas o terceiro fator: a abertura do diafragma. Quanto mais fechado o diafragma, maior será a profundidade de campo. Lembre-se que o número “f ” aumenta à medida que as aberturas tornam-se menores, ou seja, é inverso. Em fotografias intrabucais, deve-se utilizar aberturas o mais fechadas possíveis, como f11, f16, f22 ou f32.


• Velocidade e mobilidade nas fotografias close-up e macro – utilize o flash: como já foi explanado, há necessidade absoluta de trabalhar com aberturas do diafragma bem fechadas, para conquista de profundidade de campo. Quando se tem o diafragma bem fechado, ocorre um problema: a quantidade de luz que entra pela objetiva e atingem o filme ou sensor torna-se muito pequena. Uma alternativa seria aumentar o tempo de exposição, para proporcionar uma imagem com a densidade correta. Só que, neste caso, como o tempo de exposição tornaria-se muito longo, a imagem ficaria “tremida”. Para resolver este dilema, pode-se utilizar o tripé. Só que, clinicamente, o trabalho com o tripé nas fotografias intrabucais torna-se inviável, devido à demora técnica, pois ocorre uma grande dificuldade de posicioná-lo frete a uma boca de um paciente em uma cadeira odontológica, e ainda manter esse paciente estabilizado durante o disparo. O trabalho com o tripé deve ser reservado para algumas fotografias extrabucais e de laboratório. Então, a solução para trabalhar com aberturas do diafragma bem fechadas, conseguir densidade de exposição correta, imagem nítida, tudo isto com grande mobilidade e velocidade é realmente o uso do flash como meio de iluminação.


Prof. Mike R. Bueno
- Especialista em Radiologia Odontológica - USP - Baurú.
- Mestre em Radiologia - UNCC - Campinas.
- Professor responsável pela disciplina de Semiologia da UNIC – MT.
- Professor responsável pela disciplina de Radiologia da UNIVAG – MT.
- Co-Autor do livro: Metodologia Científica – ensino e pesquisa em odontologia, Artes Médicas, 2001.
- Co-Autor do livro: ATM e Dores Craniofaciais – Fisiologia Básica, Santos, 2002.
- Autor do CD-Rom Curso Completo de Fotografia Odontológica.

Bibliografia recomendada:
1. BENGEL, Wolfgang. Mastering Dental Photgraphy. Berlin: Quintessenz, 2002. 269p.
2. CONSTANT, Alan. Close-up Photography. Boston: Focal Press, 2000. 135p.
3. DALY, Tim. Fotografia digital: um guia prático. Lisboa: Centralivros, 2000. 160p.
4. DAVIES, Paul. The Complete Guide To Close-up e Macro Photography. Singapore: David & Charles, 2001. 160 p.
5. HEDGECOE, Jonh. O Manual do Fotógrafo. 6. ed. Porto: Porto, 1996. 352p.
6. PHOTOSHOP 6.0: Guia autorizado Adobe. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 487p.
7. ROSE, Carla. Aprenda em 14 dias fotografia digital. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 370p.
8. SAWYER, Ben; PRONK, Ron. Tudo sobre câmeras digitais. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 1997. 319p.
9. SHAW’S, Jonh. Close-ups In Nature. New York: Amphoto, 1987. 144 p.
10. SHEPPARD, Rob. National Geographic Guia Prático de Fotografia Digital. São Paulo: Abril, 2003. 161p.
11. WANDER, Philip; GORDON, Peter. Dental Photography. London: British Dental Association, 1987. 96p.